Santos: uma cidade rica, mas com uma desigualdade que segrega!

Santos: uma cidade rica, mas com uma desigualdade que segrega!

Por Alexandre Miguel de Souza

29.10.2026

Foto: Diego Matos/PMS  

Santos é conhecida por sua importância econômica, pelo Porto, pela qualidade de vida e pela força do mercado imobiliário. Entretanto, por trás dessa imagem de prosperidade, existe uma realidade que não pode ser ignorada: o custo de vida é alto e a desigualdade social impõe enormes dificuldades para milhares de famílias santistas.

De acordo com os dados informados do Índice FipeZAP, Santos ocupa a 23ª posição entre as cidades brasileiras com o metro quadrado mais caro, com preço médio em torno de R$ 8.606/m² em setembro de 2026. Nos bairros mais valorizados, como Gonzaga, com média superior a R$ 10.190/m², Boqueirão, Vila Rica e Ponta da Praia, imóveis de alto padrão podem alcançar valores entre R$ 15 mil e R$ 19 mil por metro quadrado.

O mercado imobiliário santista também demonstra forte valorização. Segundo os números apresentados, a alta acumulada do metro quadrado chegou a 6,34% até agosto de 2026, colocando Santos entre as dez cidades com maiores taxas de valorização imobiliária do país.

Mas precisamos perguntar: prosperidade para quem?

Enquanto imóveis de luxo alcançam cifras milionárias, trabalhadores, famílias de baixa renda, idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade enfrentam dificuldades para pagar aluguel, manter uma moradia digna e permanecer próximos dos locais de trabalho, dos serviços públicos e das oportunidades.

Essa realidade evidencia a segregação socioespacial: a separação da população de acordo com sua renda, que empurra parte dos trabalhadores para áreas periféricas, onde muitas vezes há menos infraestrutura, transporte adequado e equipamentos públicos.

Não podemos aceitar que Santos seja uma cidade de contrastes tão profundos, na qual a valorização imobiliária convive com o déficit habitacional e a dificuldade de acesso à moradia. O desenvolvimento urbano precisa atender às necessidades da população, e não apenas aos interesses do mercado.

 

É fundamental que a Prefeitura adote medidas concretas, como ampliar a oferta de habitação de interesse social, aproveitar imóveis vazios ou subutilizados para fins habitacionais, combater a especulação imobiliária, fortalecer programas de aluguel social e promover investimentos em infraestrutura, mobilidade e serviços públicos nos bairros mais vulneráveis.

Também é necessário garantir que trabalhadores e famílias de baixa renda possam morar dignamente nas regiões com acesso a empregos, escolas, hospitais e transporte público, sem serem expulsos desses territórios pela valorização imobiliária.

Santos não pode ser uma cidade acessível apenas para quem pode pagar por ela. O direito à moradia digna e à cidade deve estar acima dos interesses especulativos. Crescimento econômico sem inclusão social aprofunda desigualdades e transforma o espaço urbano em um privilégio.

Alexandre Miguel de Souza é escritor e poeta santista

 

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