São Vicente (SP) poderá ter troféu Maria Carolina de Jesus
O troféu representaria o símbolo físico de homenagem as pessoas físicas, associações, empresas e demais pessoas jurídicas e será entregue em sessão solene no Plenário da Câmara

Carlos Ratton
21.05.2026
Foto: Reprodução/Divulgação
O Presidente da Comissão de Igualdade Racial e da Verdade da Escravidão Negra da regional de São Vicente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), advogado Flávio Viana Barbosa (foto abaixo), está solicitando à Câmara de Vereadores a criação do Troféu “Carolina Maria de Jesus” para premiar as pessoas naturais e jurídicas que se destacaram na luta pela igualdade racial, pelo fim do racismo e pela divulgação da cultura e história do negro no município.
O advogado afirma que o troféu representaria o símbolo físico de homenagem as pessoas físicas, associações, empresas e demais pessoas jurídicas e será entregue em sessão solene no Plenário da Câmara às personalidades previamente referendadas pelo Conselho do Troféu
A escolha dos contemplados ficaria por conta de três representantes do Conselho Municipal de Igualdade Racial – COMPIRSV, um representante do Poder Legislativo e um representante do Poder Executivo, nomeados por decreto municipal.

Flávio Viana Barbosa preside a Comissão de Igualdade Racial e da Verdade da Escravidão Negra da regional de São Vicente da OAB
O Conselho do Troféu se reuniria 30 dias antes da premiação para decidir os ganhadores a partir das indicações feitas pelas associações representativas dos afrodescendentes formalmente constituídas e com sede em nossa cidade, membros titulares do COMPIRSV e dos vereadores da cidade, sempre acompanhados de um breve resumo de sua atuação contra o Racismo para apreciação do Conselho.
O Conselho do Troféu outorgaria a comenda em reunião oficial, firmando a ata de aprovação e indicação dos ganhadores. Cada ganhador irá receber o Troféu “Carolina Maria de Jesus”, acompanhado de cópia do decreto municipal que outorga o troféu e o certificado competente.
Datas
Carolina Maria de Jesus” deverá será entregue nos dias 21 de março (Dia Internacional de Eliminação da Discriminação Racial); 25 de julho (Dia Internacional da Mulher da Afro-latino-americana, Afro-caribenha e da Diáspora) e dia 31 de outubro (Dia da Abolição Vicentina) de cada ano.
Em cada data prevista para o troféu, somente cinco pessoas físicas ou jurídicas poderão ser premiadas, sendo que qualquer homenagem que ultrapasse tal teto, aprovada pelo Conselho, será imediatamente adiada para a próxima data.
“A iniciativa já foi aprovada pelo Conselho Municipal de Igualdade Racial de São Vicente em dezembro do ano passado, como política afirmativa. O Conselho tem poderes deliberativos. Abri expediente na OAB e, com anuência da Comissão de Direitos Humanos e da Diretoria, enviamos ofício ao prefeito Kayo Amado, à secretária municipal de Direitos Humanos e para todos os vereadores”, aponta Flávio Viana.
Carolina
Carolina Maria de Jesus tem sua história contada em inúmeros sites brasileiros e internacionais. O Alma Preta, por exemplo, fez uma bela homenagem, escrita por Patrícia Santos, no ano de 2024, em que a escritora completaria 110 anos.
A escritora Carolina Maria de Jesus foi descoberta no fim dos anos 1950 pelo jornalista Audálio Dantas. Seu livro “Quarto de Despejo: Diário de Uma Favelada”, é um clássico da literatura nacional, foi traduzido para 13 idiomas e publicado em mais de 40 países, tornando-a uma das principais escritoras brasileiras.
Lançado em 1960, a obra vendeu mais de 80 mil exemplares. Nele, a autora apresenta o diário de sua vida após deixar Sacramento (MG), sua cidade natal, para viver nas periferias de São Paulo, onde trabalhou como empregada doméstica e catadora de papel. O título do livro remete a uma de suas frases: “A favela é o quarto de despejo da cidade”.
Carolina foi uma mulher negra, mãe e escritora. Em seu livro de maior sucesso, retratou a rotina de criar sozinha três crianças, a miséria, a fome e as dores de viver em um barraco às margens do Rio Tietê, sem estrutura, sem estudo, mas com papéis que reuniu em suas andanças atrás do sustento. Foram 20 cadernos com anotações que se transformaram em uma obra renomada da literatura brasileira.
Carolina Maria de Jesus morreu pobre e sobrevivendo como catadora de lixo novamente, em 13 de fevereiro de 1977, pouco antes de completar 63 anos. Ela sucumbiu a discriminação e ao desprezo de uma classe elitizada que menosprezou suas obras.
Redescoberta em 1990, graças ao empenho do pesquisador brasileiro Carlos Sebe Bom Meihy e do norte-americano Robert Levine, que juntos publicaram o livro “Cinderela negra: a saga de Carolina Maria de Jesus”. Fora do Brasil, Carolina não foi esquecida.

Comentários dos leitores
Carregando comentários…