Seis das nove cidades da Baixada Santista possuem nomes indígenas
Guarujá, Bertioga, Cubatão, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe são nomes de origem indígena, mostrando que a região tem “DNA” dos povos originários

Carlos Ratton
18.07.2026
Fotos: Tony Valentte/Prefeitura de Bertioga
Por mais que existam esforços sistematizados para apagar a história indígena da Baixada Santista, uma questão jamais será mudada: o nome das cidades. Dos nove municípios que compõem a região, seis possuem nomes indígenas.
Outro dado importante. De acordo com o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Baixada Santista possui 4.465 indígenas. A maioria (80,4%) vive em áreas urbanas, e a região concentra 17 aldeias e 5 terras indígenas, predominantemente dos povos Guarani Mbyá e Tupi-Guarani.

Guarujá é um termo de origem tupi. A etimologia exata tem algumas variações históricas, mas todas ligadas à geografia da região. Passagem Estreita (gu-ar-y-yá), relacionada a uma antiga formação rochosa que separava duas praias e Viveiro de Rãs/Sapos (guaru-ya).
Bertioga é de origem indígena, derivado da língua tupi-guarani. Existem duas teorias principais sobre o seu significado e transformação histórica. Morada dos Macacos e a versão mais aceita é que o nome original era Buriquioca (buriqui = macaco grande + oca = casa/morada), que com o tempo e a adaptação fonética pelos portugueses evoluiu para Bertioga.
Também Terra dos Mosquitos em que outra teoria histórica sugere que o nome venha de Bariguioca, que remete ao "barigui" ou "marigui", nome indígena dado ao mosquito dos pântanos (muito comum na região litorânea), que também acabou corrompido para o termo atual.
Cubatão é de origem indígena e a principal teoria histórica aponta que o nome deriva do tupi Cui-pai-ta-ã, que foi se transformando ao longo dos anos e significa "rio que cai do alto", em uma clara referência ao Rio Cubatão, que desce a Serra do Mar.
Mongaguá é de origem indígena. O termo vem do tupi-guarani e significa "água pegajosa". O nome foi dado pelos povos originários que habitavam a região da Baixada Santista às margens dos rios locais, como o rio Mongaguá e o Aguapeú. Hoje, o município ainda abriga aldeias indígenas em áreas de preservação da Mata Atlântica.
Itanhaém é tupi-guarani. Existem duas traduções principais para o termo: Pedra que canta - uma referência poética ao barulho das ondas quebrando no famoso costão rochoso da cidade - e Bacia de pedra, alusão ao formato das formações rochosas naturais encontradas no município.
Peruíbe O termo deriva da língua tupi antiga (Iperuiybe ou Peruíbe) e significa "no rio dos tubarões". A palavra é formada pela junção dos termos iperu (tubarão), 'y (rio) e pe (em).
Contrassenso
Como já publicado pelos Inconfidentes, apesar dos números e dos nomes das cidades, o Comitê de Bacias Hidrográfica da Baixada Santista (CBH-BS) ainda não possui representantes dos povos indígenas e da pesca artesanal em sua composição colegiada. Pelo menos um representante de cada segmento, por conhecimento de causa, seria fundamental em qualquer decisão do comitê.
Em março último, na 76ª Reunião Plenária do Comitê, realizada no Teatro de Bolso Leni Morato, localizado no Complexo Cultural Palácio das Artes, no Boqueirão, em Praia Grande, o presidente do Comitê, prefeito de Praia Grande Alberto Mourão (MDB), não se mostrou contra, mas também não mostrou boa vontade em mudar essa realidade.
“Porque não depende de nós, do Comitê. Depende da instância superior pra fazermos essas mudanças. Eu falo que tem que ter uma cadeira indígena e, pra criar essa cadeira, é preciso ter eleição e a criação disso. Temos que mandar um documento e, se essa for a vontade, será feito”, afirmou aos Inconfidentes. As próximas eleições do comitê serão em dois anos.
Ao ser questionado sobre o Comitê ser proativo em promover condições favoráveis à participação dos indígenas e pescadores, Mourão usou a burocracia como justificativa. “Pode ter uma cadeira deles, mas eles têm que se organizar pra participar da eleição. É só ler o edital”, finalizou.
Há um ano
Em março de 2025, antes das eleições que o conduziram à presidência do Comitê, Mourão, em entrevista, deixou claro que não via qualquer empecilho quanto a participação de indígenas e pescadores.
Pelo menos, desde 2021, o Conselho não faz qualquer esforço para garantir a vaga para os dois segmentos. O Comitê foi criado pela Lei 9.034 de 27/12/94 e sua área de atuação abrange os nove municípios da Região, que possuem, em conjunto, uma área de 2.422,776 Km².
Essa área também concentra uma população indígena significativa, com mais de 3.300 pessoas autodeclaradas indígenas, inseridas em terras aldeias sob a influência da Bacia Hidrográfica da Baixada Santista.
O Brasil possui mais de 1,3 milhão de pescadores artesanais registrados (RGP). Na Baixada são 25 comunidades pesqueiras com um contingente estimado de 1.500 pescadores e seis mil pessoas.

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