Solange Freitas critica desunião na bancada da Baixada Santista na Alesp
Deputada estadual defende agenda metropolitana permanente, mas aponta que articulação regional só ocorre em momentos de crise

Sandro Thadeu
16.07.2026
Imagem: Divulgação/Rodrigo Romeo/Alesp
A falta de uma agenda metropolitana articulada na Assembleia Legislativa (Alesp) tem sido um dos principais obstáculos para garantir uma maior pressão sobre autoridades a fim de resolver as demandas e os problemas apontados pela população da Baixada Santista.
Em entrevista concedida na última quarta-feira (15) ao programa ZR News, da Rádio Santa Cecília FM, a deputada estadual Solange Freitas (União) lamentou a ausência de unidade permanente entre os parlamentares da região, afirmando que a integração ocorre apenas em situações excepcionais de crise.
Para ela, o cenário atual mostra que os cinco deputados estaduais locais — Caio França (PSB), Paulo Corrêa Jr. (Republicanos), Paulo Mansur (PL), Tenente Coimbra (PL) e a própria Solange — só conseguem convergência em momentos críticos. Como exemplo, citou o episódio de março do ano passado, quando a queda de uma passarela no km 52 da Rodovia Anchieta, em Cubatão, causou a interdição da via por quase 12 horas.
A resposta coordenada da bancada resultou em um projeto de lei que obriga concessionárias de rodovias a manterem planos de contingência robustos. Segundo Solange, a pressão coletiva foi determinante para que a Polícia Militar Rodoviária adotasse medidas preventivas antes mesmo da tramitação final da propositura.
Abismo entre o discurso e a prática
Apesar do resultado positivo em relação à situação citada, a deputada admite que uma atuação conjunta de longo prazo ainda é um objetivo distante. Em entrevista, a parlamentar reconheceu uma certa frustração com a falta de colaboração sistemática. "Queria muito que a gente tivesse uma integração maior, mas essa ainda é uma realidade distante. Quando entrei, achei que conseguiríamos fazer muita coisa unidos, mas não", desabafou.
A deputada ressalta, ainda, que as divergências ideológicas entre os representantes não deveriam impedir o consenso em temas que afetam diretamente os nove municípios da região metropolitana.
Luta solitária
A dificuldade de construir alianças ficou evidente na batalha pela ampliação da frota de ônibus intermunicipais com ar-condicionado na Baixada Santista. Solange revelou ter articulado um grupo de trabalho entre os parlamentares da região para pressionar o Governo do Estado nessa pauta, mas a iniciativa não obteve a adesão necessária.
"Quando comecei essa briga, pedi ajuda, mas não houve o engajamento esperado. Hoje, quando se fala em ônibus com ar-condicionado na Baixada Santista, ninguém pode dizer que ajudou. Foi uma briga minha", pontuou.
A fala da integrante do União Brasil evidencia um dos maiores desafios da política regional: a dificuldade de transformar pautas de interesse público em vitórias coletivas para a população.

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