Supostas escolhas de Tarcísio levam à superfície novas perspectivas ao Governo de São Paulo
Supostas escolhas de Tarcísio levam à superfície novas perspectivas ao Governo de São Paulo Carlos Ratton

Supostas escolhas de Tarcísio levam à superfície novas perspectivas ao Governo de São Paulo
Carlos Ratton
03/01/2025
Fotos Agência Brasil – EBC/Congresso em Foco/Câmara dos Deputados/ Pessoais Fausto Pinato e Filipe Sabará
Uma soma se supostos erros tem causado desgaste ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-foto) já bastante sentido no Palácio dos Bandeirantes e já há quem acredita que sua possível reeleição pode ser prejudicada.
Desmandos na área da Educação (principalmente envolvendo direitos e salários de educadores), frustrações na Segurança Pública (envolvendo tanto a polícia civil como a militar), mplantação de pedágios nas principais rodovias paulistas (muitas cortando o interior do Estado), e a recente crise hídrica envolvendo a Grande São Paulo e regiões metropolitanas, entre elas a da Baixada Santista, são apenas algumas situações apontadas

Além das escolhas administrativas, a falta de apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro que, da prisão, anunciou o filho Flavio Bolsonaro para ser o candidato do PL à presidência em 2026, não só confirmou que Tarcísio nunca contou com a confiança da clã Bolsonaro e seguidores, como vem enfraquecendo Tarcísio politicamente.
Há quem garanta que de nada adiantou Tarcísio ter participado de atos com o ex-presidente antes da prisão, em que fez críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), em especial, ao ministro Alexandre de Moraes.
Muito menos ter defendido a anistia para condenados da tentativa de Golpe de Estado. Na hora H, Bolsonaro preferiu o filho ao invés do aliado raiz que, mesmo assim, ainda lidera as pesquisas, geralmente encomendadas pela elite da Faria Lima.
Só piora.
Recentemente, um novo ingrediente foi colocado à lista. E ele apareceu por intermédio do deputado federal Fausto Pinato (PP-SP), que tem feito duras críticas ao Governo de São Paulo, apontando um distanciamento político e falta de reciprocidade com o Partido Progressista.
Em entrevista recente, Pinato (foto) descreveu o Governo Tarcísio como um governo de narrativa e expressou sentir-se enganado por ele. Pinato pontuou falta de diálogo com o PP, além de um crescente descontentamento de prefeitos e parlamentares do partido com a falta de atenção e dificuldades de comunicação com o governo estadual.

O deputado critica a falta de firmeza e a mudança de posicionamento de Tarcísio, que, segundo ele, ora ataca o STF (conforme revelado acima), ora recua e pede desculpas.
Essa guinada para a extrema-direita e a submissão a Bolsonaro sem ao final receber apoio a uma possível candidatura à Presidência (nem ao governo do Estado até agora), na visão de Pinato, fizeram Tarcísio perder credibilidade.
Pinato chegou ao ponto de acusar o governador de dizer que não precisa de prefeitos e de não ter comprometimento com os paulistas, citando o interior do estado que estaria "cheio de buracos".
Riscos eleitorais
O deputado acredita que, devido a essa insatisfação e à possível rebelião de prefeitos e vereadores, Tarcísio pode perder a reeleição em São Paulo. Ele chega a comparar Tarcísio com João Dória 2.0, alertando que na política é melhor construir pontes do que derrubar.
As declarações recentes do deputado indicam uma tensão na base aliada e um racha político exposto publicamente pelo Partido Progressista, que vem cobrando publicamente o governador por uma suposta falta de apoio à candidatura de Guilherme Derrite (PP-SP) ao Senado e por dificuldades de comunicação e falta de atenção a parlamentares da sigla.
Derrite foi secretário de Segurança Pública de São Paulo até novembro, quando deixou o cargo para voltar à Câmara dos Deputados para relatar a PEC da Segurança Pública e para focar em seu projeto eleitoral de 2026. Derrite era filiado ao PL, mas neste ano trocou a sigla pelo PP.

Em meio a essa insatisfação, o partido ameaça lançar uma candidatura própria ao governo paulista, ainda que Tarcísio já tenha se colocado como candidato a reeleição ao cargo: Filipe Sabará (foto-abaixo).
Esse último já foi secretário nas gestões municipal e estadual de João Doria e atualmente está ajudando Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em sua aproximação com empresários da Faria Lima, que até então teria Tarcísio como preferência.

Outro nome apontado pelo PP é o do deputado federal Ricardo Salles, ex ministro de Meio Ambiente de Bolsonaro, conhecido como “o homem da boiada”, que atualmente está no Novo, que teve um desgaste grande quando o Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou uma manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República) para torna-lo réu em uma ação por contrabando florestal.

Hoje, o PP tem 54 prefeitos no Estado. Com a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, o partido também passou a considerar estratégico ter, no Palácio dos Bandeirantes, um governador mais alinhado ao projeto nacional da sigla. É a direita rachando.
A avaliação interna é de que essa sintonia facilitaria a montagem e a sustentação da chapa de candidatos a deputado federal e estadual em São Paulo, um dos principais colégios eleitorais do país.
Vale lembrar que já existem outros pré-candidatos (a) ao governo de São Paulo como o vice-presidente Geraldo Alckmin e ministro das Micro e Pequenas Empresas Márcio França (PSB).
Esse último vem fazendo barulho nas redes sociais apontando as fraquezas de Tarcísio, entre elas de não conhecer o estado que governa por ser oriundo do Rio de Janeiro.

Vale lembrar que além de Alckmin e França, já despontam outras alternativas, como a combativa Erika Hilton (PSOL); Felipe D´Avila (Novo); Rodrigo Garcia (sem partido) e Paulo Serra (PSDB).

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