Tarcísio está desmontando a escola pública paulista, afirmam dirigentes da Apeoesp

Carlos Ratton

Tarcísio está desmontando a escola pública paulista, afirmam dirigentes da Apeoesp

Carlos Ratton

24.02.2026

Foto: Tony Valentte

Em entrevista aos Inconfidentes, as educadoras ligadas ao Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP) Sonia Maciel (diretora executiva estadual e secretária de organização das subsedes do Interior) e Tania Grizzi (coordenadora da subsede Baixada Santista) reforçam que o Governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) está desmontando a escola pública paulista.

Educadores do Estado de São Paulo estarão nesta quarta-feira (25), a partir das 9h30, na sede da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), participando da audiência pública que visa a retirada de pauta do Projeto de Lei 1316/2025, que impõe novas regras à carreira no Magistério. Leia em https://osinconfidentes.com.br/educadores-de-sp-promovem-audiencia-publica-na-alesp-contra-pacote-de-crueldades-de-tarcisio/.

Tânia explica Tarcísio retirou cinco dos 30% Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) destinado à Educação. Os 5% correspondem R$ 11 bilhões a menos para a Educação em São Paulo. “E esse dinheiro retirado refletiu na estrutura de escola, naquilo que é básico. Tivemos denúncia que uma escola não tinha mesa e cadeiras. Duas classes teriam aulas a menos por causa disso. A climatização das escolas também foi afetada. Sem ares-condicionados, crianças e professores estão desmaiando”, afirma.

Professores do Estado de São Paulo recebem abaixo do piso nacional (R$ 5.130,63). Segundo a educadora Sonia Maciel, o complemento é pago por intermédio de um abono, que “não reflete no salário. Quando o professor (a) se aposenta, perde”, revela Tania, lembrando também da luta contra as escolas cívicas-militares, “que já está mais do que provado que são inconstitucionais” e o fechamento de classes de Educação de Jovens a Adultos (EJA). “Tivemos 40 mil professores sem aula”, completa. 

A educadora ressalta que há um afastamento diário de professores (as) por problemas de saúde. Lembra que para a atribuir aulas, é levado em consideração entre outras coisas, o título, o tempo de serviço e o que o educador desenvolveu durante a carreira.

“Agora, é avaliado o desempenho por intermédio do aluno, que é menor de idade e que avalia bem baixo o professor mais exigente. O professor virou uma máquina, tendo o farol amarelo ou vermelho”, explica Sônia.

As educadores lembram de outras questões graves envolvendo a Educação Paulista, conduzida pelo secretário Renato Feder, como erros graves no material didático, falta de concursos para professores, 33 escolas privatizadas, da queda do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) e a falta de professores auxiliares para estudantes autistas. Ambas acreditam que haverá uma greve geral em breve.   

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