Tarcísio já assombrado por crise hídrica pós privatização da Sabesp

Tarcísio já 'assombrado' por crise hídrica pós privatização da Sabesp Carlos Ratton

Tarcísio já assombrado por crise hídrica pós privatização da Sabesp

Tarcísio já 'assombrado' por crise hídrica pós privatização da Sabesp

Carlos Ratton

26/12/2025

Fotos: Alesp e Agência Brasil - EBC

As promessas pré-privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foram muitas. As duas principais: diminuição do valor das tarifas e melhor distribuição de água e coleta de esgoto, principalmente nas periferias do Estado, onde existe comunidades inteiras em vulnerabilidade social.

No papel pós-privatização, o resultado está sendo outro. A conta de água terá um aumento de 6,11% a partir de janeiro de 2026, sendo o primeiro reajuste após a privatização com a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), e o aumento do sofrimento nas comunidades, principalmente na Região Metropolitana da Baixada Santista, conforme já publicou Os Inconfidentes.       

Agora, um velho ingrediente entra também na conta do governador ‘privatista’. A emissão de um alerta pedindo “redução imediata do consumo de água” em todo o estado, diante da combinação de onda de calor extrema e estiagem prolongada que vem pressionando os sistemas de abastecimento.

O aviso foi acompanhado de recomendações práticas à população, como banhos rápidos, combate a desperdícios e suspensão do uso de água para fins não essenciais — como encher piscinas e lavar calçadas e carros.

Acredita-se que este deva ser primeiro episódio com risco de crise hídrica enfrentado por São Paulo após a privatização, concluída em 23 de julho de 2024.

Vale lembrar que, durante o anúncio de privatização na Baixada Santista, pelo menos quatro dos cinco parlamentares estaduais da região - Tenente Coimbra e Paulo Mansur (PL); Paulo Corrêa Júnior (PSD) e Solange Freitas (União), se mostraram entusiastas à iniciativa de privatização anunciada. 

O quinto deputado estadual eleito pela região, Caio França (PSB), foi o único que se manifestou contra e que, hoje, demonstra cobrança do governo em uma solução definitiva para o fim da falta de água na região.

O desabastecimento em várias cidades está atingindo em cheio a população mais vulnerável, causando transtornos incalculáveis à população da região pós privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Os Inconfidentes procurou a assessoria de todos e somente a de França respondeu, inclusive com documentos, as cobranças realizadas ano passado e este ano junto ao Governo do Estado de São Paulo.

Por meio de requerimentos de informação apresentados à Assembleia Legislativa (Alesp), França vem solicitando esclarecimentos sobre a falta de água em municípios da Baixada Santista e sobre a qualidade do abastecimento em cidades da região.

Os requerimentos foram encaminhados oficialmente à Casa Civil e à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, com respostas da Sabesp e dos órgãos reguladores, demonstrando a atuação fiscalizatória do parlamentar sobre o serviço de abastecimento de água, especialmente diante das recorrentes reclamações da população. No entanto, parece que Caio é a única voz.

Conforme divulgado em vários veículos de Imprensa, moradores de Cubatão, São Vicente, Guarujá e Praia Grande reclamaram da falta do líquido, que impede as pessoas de realizarem não só a higiene pessoal, como a preparação das refeições. O sofrimento é duro e silencioso.

Crianças e adultos carregando baldes, improvisando banhos em córregos e recorrendo à solidariedade de vizinhos para beber água virou rotina, menos na residência da deputada e dos deputados que mal respondem a uma solicitação de um órgão de Imprensa. Imagine a preocupação deles junto à população da periferia.    

Apesar das inúmeras reclamações e promessas de solução, a Sabesp segue sem atender adequadamente a população mais vulnerável, apesar do governador Tarcísio de Freitas ter prometido o contrário no Parque Valongo, em Santos, no início do ano, ao lado do CEO da Sabesp, Carlos Piani. 

A Associação Guarujá Viva – Água Viva já protocolou representação junto ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), exigindo apuração das falhas e medidas urgentes para restabelecer o fornecimento. Nada de concreto ocorreu até agora.  

Em janeiro deste ano, a Prefeitura de Guarujá anunciou até a criação de um grupo de trabalho para fiscalizar os serviços da Sabesp na cidade. A promessa era de vigilância, qualidade e diálogo com a população. Mas, até agora, só se vê torneiras vazias. 

Nenhum relatório foi apresentado oficialmente, nenhuma informação foi tornada pública, e nenhum canal de participação da sociedade civil foi criado. Outro lembrete: a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (ARSESP) também permanece em silêncio. Um silêncio ensurdecedor. 

Sabesp

A Sabesp responde sempre a mesma coisa. Que são problemas pontuais solucionados conforme a demanda e que o atendimento às famílias que vivem em áreas informais é uma das novidades trazidas pela desestatização da Sabesp.

A Companhia diz que passou a poder atuar em comunidades ainda não regularizadas formalmente, desde que haja autorização do município e não sejam locais de proteção ambiental. “Antes, a empresa não podia instalar infraestrutura nesses locais”, informou.

Segundo a empresa, de janeiro de 2024 a junho de 2025, cerca de 80 mil pessoas passaram a contar com abastecimento regular de água potável na Baixada Santista, enquanto outros 135 mil foram beneficiados com acesso ao tratamento de esgoto. “Comunidades de baixa renda estão entre os locais beneficiados”, garante.

A Sabesp diz que está executando um plano de investimentos de cerca de R$ 70 bilhões até 2029, que vai garantir a universalização dos serviços de água e esgoto em 371 cidades onde opera - antecipando em quatro anos a meta nacional.

O novo contrato estabeleceu metas claras e a aplicação dos fatores que avaliam a qualidade do serviço prestado e o alcance das metas de universalização, com sanções que impactem a receita da empresa em caso de descumprimento.

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