Trabalhadores ameaçam parar os serviços de limpeza urbana na Baixada Santista

13.03.26

Trabalhadores ameaçam parar os serviços de limpeza urbana na Baixada Santista

13.03.26

Sandro Thadeu

Fotos: Divulgação

A coleta de lixo e os serviços de limpeza urbana podem ser interrompidos em seis cidades da Baixada Santista a partir da próxima segunda-feira, dia 16. Cerca de 3 mil trabalhadores vinculados às empresas do Grupo Diniz — Terracom, Terra Santos Ambiental e PG Eco Ambiental — avaliam entrar em greve após divergências nos valores pagos no Programa de Participação nos Resultados (PPR) referente a 2025.

A decisão será tomada em assembleias simultâneas que serão realizadas nas bases operacionais das empresas, às 5 horas. Caso a categoria decida cruzar os braços, essa atividade essencial poderá deixar de ser executada nas cidades de Bertioga, Cubatão, Guarujá, Praia Grande, Santos e São Vicente.

O presidente do Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação, Limpeza Urbana e Áreas Verdes de Santos e Região (Siemaco Baixada Santista), André Domingues, o Fuzil, explicou que os valores depositados nas contas dos empregados ficaram muito abaixo do esperado e, em muitos casos, beiram valores simbólicos. Relatos indicam que funcionários receberam quantias irrisórias, o que gerou indignação imediata na categoria.

André Domingues, o Fuzil, preside o Siemaco Baixada Santista

Na avaliação dele, há uma desconexão entre o lucro da companhia e a valorização do pessoal operacional. “O PPR veio com valor abaixo do esperado e a empresa não explica o porquê. Os companheiros estão revoltados e com razão. Eles trabalham dia e noite, sob chuva e sol. A empresa teve lucros exuberantes e tem condições de bancar shows, corridas e eventos em todas as cidades, mas não paga um PPR justo”, desabafou.

O sindicalista também afirmou que não houve transparência no cálculo das metas e dos pagamentos. “Estão pagando qualquer valor. Por essa razão, vamos fazer a assembleia na segunda-feira para tirar uma pauta e resolver essa situação, que é um absurdo”, completou.

Tratamento desigual

Nas redes sociais da empresa, foram registradas várias manifestações que revelam um forte sentimento de indignação entre os funcionários, que classificam os valores recebidos a título de PPR como um “insulto à dignidade humana”.

“Vocês deveriam ter vergonha de pagar R$ 0,50 de PPR para um trabalhador. Isso não é reconhecimento, é desrespeito”, escreveu um internauta.

Um trabalhador relatou ter recebido R$ 35,60, valor que, segundo ele, não cobre sequer uma refeição para uma família.

A revolta também é alimentada pelo contraste entre o tratamento dado à linha de frente e aos cargos de gestão. Uma das interações apontava que, enquanto trabalhadores operacionais recebem valores considerados simbólicos de PPR, a empresa teria promovido sorteios de viagens em cruzeiros para chefias.

Resposta

O grupo empresarial informou que tomou conhecimento, de maneira informal, sobre os rumores da possível paralisação dos serviços de limpeza urbana e que ainda não havia recebido nenhuma comunicação oficial da direção do Siemaco Baixada Santista.

A companhia afirmou ter sido surpreendida com essa mobilização e reiterou que realizou o pagamento do PPR conforme previsto no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) vigente.

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