Travesti acusa cabo da PM de pedir bis em programa sem novo pagamento

A prestadora do serviço conseguiu expulsá-lo de sua casa e trancou a porta por dentro

Travesti acusa cabo da PM de pedir bis em programa sem novo pagamento

Eduardo Velozo Fuccia/Vade News

28.08.2026

Foto ilustrativa: Pexels

O desentendimento na prestação de um serviço de cunho sexual virou caso de polícia, em Guarujá. A reclamação partiu da fornecedora, uma travesti, que acusou o consumidor, um cabo da PM, de querer repetir o programa sem efetuar novo pagamento.

Diante desse impasse e do comportamento agressivo do cliente, que teria tentado golpeá-la com uma garrafa, a prestadora do serviço conseguiu expulsá-lo de sua casa e trancou a porta por dentro, conforme contou. Em seguida, telefonou à Polícia Militar porque o consumidor insistia em reingressar no imóvel.

Dois soldados da 2ª Companhia do 21º BPM/I logo chegaram ao local em uma viatura. Inicialmente, eles não tinham ideia da dimensão da ocorrência, mas a solicitante saiu da moradia para relatar a sua versão, enquanto o contratante do serviço tentou ir embora.

O homem estava “bastante agitado, com dificuldade de comunicação e comportamento agressivo”, segundo os soldados. Resistente à ação policial e recusando-se a fornecer a sua identificação, ele precisou ser algemado, mediante emprego de força moderada. A medida foi justificada para a preservação da segurança de todos, inclusive, do abordado.

Enquanto isso, com riqueza de detalhe sobre a preferência do cliente no programa, a travesti garantiu ter feito o que ele lhe pediu. Porém, ela ressaltou não ter concordado em reprisar a sua performance ativa sem novo pagamento, recusa que gerou o conflito.

A contratada ainda acusou o cliente de usar entorpecente durante o programa, o que o deixou alterado e violento. Não demorou muito, os soldados entenderam a relutância do contratante para informar o seu nome. Ele é cabo da ativa, lotado no 1º Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv), com sede em São Bernardo do Campo.

Os soldados conduziram as partes ao pronto-socorro, não sendo constatadas lesões em ambas. Em seguida, as apresentaram no 2º DP de Guarujá, mas o delegado as liberou por não vislumbrar crime ou contravenção penal a serem apurados. 

Devido ao acionamento de guarnição com viatura e do envolvimento de membro da corporação, foi elaborado um BOPM (Boletim de Ocorrência da Polícia Militar) versando sobre “desinteligência”. O documento dará início à apuração da conduta do cabo no âmbito disciplinar, sem prejuízo de se averiguar eventual crime militar.

Consta no BOPM que o cabo continuou a apresentar “elevado grau de agitação” após sair do pronto-socorro, razão pela qual ele precisou ser novamente conduzido à unidade de saúde, sendo medicado.

A moto do patrulheiro rodoviário havia sido estacionada na calçada da residência da travesti. Como ele não tinha condições de pilotá-la com segurança, os soldados solicitaram apoio a outros policiais militares para a condução do veículo até a casa do colega de farda. O episódio aconteceu na última sexta-feira (21/8).

 

Comentários dos leitores

Carregando comentários…