Vereador acusa Administração de monitorar opositores

Carlos Ratton

Vereador acusa Administração de monitorar opositores

Carlos Ratton

14.04.2026

Foto principal: IA

Fotos: Câmara e Prefeitura de Santos

O vereador santista Rui de Rosis Júnior (PL) está acusando a Administração Rogério Santos (Republicanos) de monitorar opositores nas redes sociais. O parlamentar já se pronunciou em inúmeras sessões ordinárias na Câmara de Santos (SP) e deve encaminhar documentos que comprovam a denúncia, em breve, ao Ministério Público do Estado de São Paulo (SP), pois acredita que a iniciativa fere dispositivos constitucionais.

“Volto a alertar sobre o monitoramento da cidade e de redes de vereadores de oposição e em geral. Demorou um pouquinho porque me debrucei para ver o que realmente tratava e fiz três requerimentos importantes que aguardo a resposta do prefeito e da secretária e Secretaria (de Comunicação) porque temos um grande problema”, disse Rui na sessão da última quinta-feira (9).

O parlamentar santista acredita que a Administração estaria cometendo desvio de finalidade ou está pagando por algo que não foi feito resultando em prejuízo aos cofres públicos.

“Há uma encruzilhada, pois terão que assumir que contrataram monitoramento de adversários, o que configura improbidade por desvio de finalidade ou que pagaram preço cheio de serviço proposto e não executado, configurando improbidade por dano ao erário”

Rui também já se manifestou alertando ser muito estranho o que está acontecendo na cidade. “O dinheiro do santista está servindo para monitorar redes de oposição e fazer promoção pessoal do prefeito. Isso não pode acontecer e eu não vou deixar que aconteça”, completou em discurso público e na frente de colegas de plenária, de quem estava nas galerias e transmissão via TV Câmara.  

Pedidos.

Nos três requerimentos de informação, Rui de Rosis pede à Administração as seguintes informações: se no projeto de concorrência estavam já estavam previstos o monitoramento de oposição digital, relatórios de inteligência política, análise de emoções com inteligência artificial, produção de conteúdo nativo em portais nacionais, data lake estratégico e marketing político. Ainda se a subcontratação de uma empresa foi submetida a análise quanto à sua regularidade e compatibilidade com o objeto licitado.

Também quer saber quem foi o agente público responsável por solicitar cotações de preços para o serviço de monitoramento de redes sociais, quer cópia integral do termo de referência, briefing ou documento equivalente que definiu o escopo dos serviços a serem cotados junto às empresas e o motivo porque todas as empresas incluíram nas propostas os serviços incompatíveis com os princípios da administração pública.

Quer que a Administração esclareça de forma fundamentada por qual razão a Administração aceitou propostas comerciais que incluem expressamente serviços de monitoramento de vereadores de oposição, produção de relatórios de inteligência sobre adversários políticos, análise de expressões faciais do prefeito para impacto eleitoral e marketing político.

Por fim, cópia integral de todos os relatórios, entregas e materiais produzidos pela empresa na prestação dos serviços de monitoramento de redes sociais, discriminando para cada entrega data, tipo de serviço, descrição do conteúdo e destinatário na Administração entre outras questões, principalmente memória de cálculo ou pesquisa de mercado que justifique a compatibilidade do valor de R$ 28 mil mensais com um relatório de métricas de redes sociais.

Prefeitura

A Secretaria de Comunicação e Economia Criativa (Secom) limitou-se a esclarecer que não procede a informação de que é realizado monitoramento das redes sociais de agentes políticos. O serviço foi oferecido em uma proposta comercial, mas não foi contratado pela Prefeitura nem integra qualquer contrato da Secom.

Explica que a empresa mencionada presta serviços para agência de publicidade contratada pela Prefeitura (vencedora de licitação pública) na área de análise de dados públicos na internet com foco no desempenho do turismo de Santos nas redes sociais, conforme relatórios mensais apresentados e submetidos aos órgãos de fiscalização e controle.

Garante que o serviço refere-se exclusivamente ao acompanhamento e gestão de canais institucionais da própria Prefeitura, como as redes oficiais de programas e iniciativas públicas — entre elas, o Turismo Santos e o Santos Cidade.

E explica que esse tipo de análise é comum na administração pública e tem como objetivo melhorar a comunicação com a população, ampliar a divulgação de programas e garantir que as informações de interesse público cheguem com mais eficiência às pessoas.

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