Vereador denuncia suposto acordo político com entidades religiosas em Santos
Vereador denuncia suposto acordo político com entidades religiosas em Santos (SP)

Vereador denuncia suposto acordo político com entidades religiosas em Santos (SP)
Carlos Ratton
17.01.2026
Fotos: Facebook/PMS
Em um desabafo nas redes sociais, o vereador Bendito Furtado (PSB) denunciou a possibilidade de existir um acordo político-religioso envolvendo o Governo Rogério Santos (Republicanos) com entidades religiosas visando eleições deste ano.
Na denúncia, diz que está solicitando à Administração Municipal o inteiro teor do processo arquivado sobre um suposto esquema social-religioso no Município, ocorrido ano passado, que acabou gerando o afastamento do ex-vereador Marcos Libório do cargo de Ouvidor Público após o caso se tornar público. (Confira detalhes no https://osinconfidentes.com.br/vereador-denuncia-suposto-esquema-social-religioso/).
“Sabe por que arquivaram? Acordo, acordo, porque ele (Libório) pertence a uma determinada corrente evangélica aqui de Santos. E eles precisam do voto. O governo precisa dos votos dessa corrente evangélica. Isso ocorre rotineiramente no mundo da política baixa Mas não vão me calar”, disse depois de relembrar o caso.
Procurado por Os Inconfidentes, o vereador confirmou na última sexta-feira (16), que quer o inteiro teor do processo arquivado “Eu estou esperando a Prefeitura me mandar. O Governo deve ter chamado ele (Libório) e fez uma negociação. Olha, pede demissão porque não tem jeito. Isso vai dar merda. Aí ele pediu a demissão pensando que ia ficar por isso mesmo. Mas eu pedi também por escrito a abertura do processo administrativo para apurar uma sindicância que eu não sei o conteúdo. Eu estou esperando só começar as sessões”, adianta.

O caso
Para quem não lembra da questão, em outubro do ano passado, em um pronunciamento na Câmara de Santos (SP), Furtado apontou um suposto esquema para enviar verbas públicas para entidades ligadas a segmentos religiosos no Município. Acredita-se que o mesmo ocorra envolvendo outras entidades religiosas e não-religiosas. A situação causou desconforto à gestão Rogério Santos, que correu para abafar a questão.
O parlamentar disse na ocasião que um extrato de termo de fomento, publicado no Diário Oficial, assinado pelo então ouvidor público e ex-vereador Marcos Libório, deu aval para que o Instituto Vida Plena, ligado à igreja evangélica Bola de Neve, recebesse verba pública na ordem de R$ 350 mil.
Libório pertence à Bola de Neve, que fica na Rua Padre Anchieta, 187. O Instituto Vida Plena fica bem perto, na mesma rua (Padre Anchieta), só que no número 211. Ambas no bairro do Macuco. Ao final, o dinheiro acabou não sendo repassado.
Na ocasião da denúncia, Furtado fez questão de explicar que Ouvidoria Pública não era secretaria e, portanto, não teria autonomia para direcionar e aprovar verbas, mas sim, um órgão do governo fiscalizador do serviço público, que ouve a comunidade para questionar o prefeito sobre os pleitos da sociedade.
Conforme revelou, ao seguir o dinheiro, descobriu que o repasse, por intermédio de uma emenda parlamentar de Libório enquanto exercia a vereança, foi originariamente encaminhada para duas secretarias antes de parar na Ouvidoria a pedido do Libório, com intenção de encaminhar à Vida Plena.
Furtado revelou também que quem assinava pela entidade (Vida Plena) era Fabrício Rodrigues Simões, cabo eleitoral de Libório, assessor comissionado na Prodesan (Progresso e Desenvolvimento de Santos) colocado à disposição da Ouvidoria. Simões acabou sendo afastado da Prodesan depois do episódio.

Prodesan
Criada em 15 de outubro de 1965, a Prodesan é uma empresa de economia mista, parceira da Prefeitura de Santos em ações integradas de planejamento e execução de serviços envolvendo manutenção de escolas municipais, limpeza do sistema de drenagem, na operação dos sanitários públicos móveis ou na conservação da pavimentação asfáltica. Também desenvolve estudos, projetos, consultorias e acompanha obras de engenharia, de arquitetura e urbanismo, de infraestrutura e, ainda, na área da tecnologia da informação.
Voltando ao vídeo que se encontra em seu perfil, Furtado desabafa: “não houve prejuízo ao erário porque eu denunciei a trama, já estava assinado para ser liberado. Não liberou porque imediatamente eu denunciei. Fui ao prefeito e pedi que suspendesse. Cometeu o ato de improbidade administrativa, sim. A intenção houve” Ainda sobrea questão, o vereador completa o desabafo online: “não jogou 350 mil reais no erário do povo de Santos no lixo para um cupincha (amigo íntimo, camarada, companheiro ou cúmplice) dele porque eu fiz a denúncia. Isso é uma vergonha e a sociedade merece saber a verdade. Há tempo ainda, prefeito, de se falar a verdade. E não ficar se protegendo quem não deve. Este não é o papel de quem foi eleito para governar a nossa cidade”.

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