Viaduto da Alemoa: um nó que ninguém desata em Santos (SP)
Os Inconfidentes receberam inúmeras reclamações de congestionamentos nunca resolvidos

Carlos Ratton
05.11.2026
Fotos: PMS/Site Estradas
Um porto administrado pelo Governo federal, em um bairro administrado por um governo municipal, cujo acesso principal é por uma rodovia estadual. Esse trio gerencial logístico complexo talvez seja o principal responsável, entre outros problemas, pelo trânsito na região do Viaduto da Alemoa, em Santos (SP), que sofre frequentemente com congestionamentos graves, devido ao alto fluxo de caminhões rumo ao Porto de Santos, a obras de infraestrutura e a ocorrências pontuais.
E o pior é que ninguém resolve porque os governos não conversam entre si. Os Inconfidentes resolveram levantar a questão após receberem inúmeras reclamações de pessoas que precisam se dirigir constantemente à capital paulista pela Via Anchieta. O viaduto é o único que dá acesso ao bairro da Alemoa, gerando filas diárias e lentidão que afetam vias como as avenidas Alfredo Neves e a Augusto Scaraboto.

A Autoridade Portuária de Santos (APS) tem realizado intervenções estruturais na região, incluindo a ampliação do sistema de drenagem e a readequação da rotatória da Alemoa, mas as obras, embora em estágio avançado (cerca de 90% executadas), causam estreitamentos de pista e retenções temporárias.
Acidentes, tombamentos de veículos ou derramamentos de óleo na pista da Via Anchieta e na subida do viaduto costumam travar completamente o tráfego no sentido Santos e gerar reflexos por quilômetros. A entrada de Santos também não ajuda, principalmente em dias de chuvas.
A Ecovias garante que monitora continuamente as condições de tráfego nos acessos ao Porto de Santos e atua de forma integrada com os órgãos públicos e demais entidades envolvidas na operação logística e viária da região para minimizar os impactos no trânsito.
Entre as medidas operacionais adotadas estão o monitoramento do fluxo de veículos, a retenção pontual de caminhões no planalto, quando necessária, para evitar o agravamento das filas na Baixada Santista, além de ajustes operacionais e orientação aos motoristas. Mas só monitorar não ajuda a mudar a realidade.
Para melhorar a circulação na região de forma estrutural, a concessionária desenvolve projetos de infraestrutura voltados à ampliação e à melhoria dos acessos ao Porto de Santos e também para uma nova saída da Alemoa, ambos em tratativas com a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (ARTESP), que também nada resolve.

Seis anos
O Viaduto Alemoa foi liberado para o tráfego no fim da manhã de 08 de junho de 2020 com a promessa de melhorar o fluxo de veículos pesados na saída do Porto de Santos com direção à capital paulista. A estrutura, construída no km 64+560 da rodovia, tem 406 metros de extensão e duas faixas de rolamento, no sentido São Paulo.
O viaduto fez parte de um pacote de R$ 270 milhões investidos no sistema viário pela Ecovias. Em novembro de 2019, foi entregue o viaduto Anchieta no Km 65 da rodovia, com o objetivo de separar caminhões de veículos de passeio para melhor fluidez no tráfego.
O conjunto de obras englobou a entrega de um terceiro viaduto, o Piratininga, no km 62 da Via Anchieta, e um projeto de adequação viária com instalação de ciclovias entre os km 60 e 65 da rodovia, ligando os bairros Jardim Casqueiro e Vila dos Pescadores, em Cubatão, à malha cicloviária de Santos.
No total, o Programa Nova Entrada de Santos recebeu R$ 585 milhões em investimentos, resultantes da parceria entre a Prefeitura de Santos e o Governo do Estado.


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