Pressão faz Alcolumbre repensar em segurar PC da escala 6 X 1

Situação do presidente do Senado ficou difícil após aprovação em tempo recorde do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que desprotege crianças vítimas de estupro

Pressão faz Alcolumbre repensar em segurar PC da escala 6 X 1

Carlos Ratton

08.06.2026

Fotos: Senado Federal

A forte pressão popular, principalmente após o Senado ter aprovado, em menos de dois minutos e em sessão esvaziada, o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 3/2025, que gera desproteção à crianças vítimas de estupro, porque derruba a resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA), colocou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) em situação constrangedora. Confira reportagem completa em https://www.osinconfidentes.com.br/noticia/senado-facilita-a-vida-de-estupradores-e-penaliza-ainda-mais-criancas-vitimas-de-violencia-sexual

Recentemente, ele havia anunciado que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 — seis dias de trabalho para um de descanso – poderia ser avaliado por mais comissões o que geraria mais tempo para ser aprovada. Nesta segunda-feira, informações revelam que ele decidiu encaminhar a PEC diretamente à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), recuando da ideia de criar uma comissão especial para analisar a matéria.

A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 27 de maio e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial. No Senado, a tramitação passou a ser alvo de disputa após Alcolumbre defender um rito mais longo, sob o argumento de que a Casa não deveria apenas referendar decisões da Câmara.

A reação foi imediata. Parlamentares da base do governo Lula, centrais sindicais e movimentos de trabalhadores pressionaram contra a criação de uma comissão especial, considerada por governistas uma forma de atrasar uma pauta de forte apelo popular.

Segundo a própria assessoria do Senado, desde 1988 nenhuma PEC aprovada pela Casa tramitou por outra comissão além da CCJ. O regimento interno prevê que propostas de emenda à Constituição sejam analisadas pela comissão antes de seguir ao plenário.

Enquanto isso, a oposição tenta emplacar uma proposta paralela. A PEC de Rogério Marinho, coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, propõe ser possível “escolher” entre o regime comum previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou um “regime flexível” baseado em horas trabalhadas, em que o patrão pagaria apenas o número de horas trabalhadas pelo empregado, abrindo caminho para uma jornada de trabalho na escala “7×0”.

A pressão popular, contudo já produziu efeitos. Romário (PL-RJ), Zequinha Marinho (Podemos-PA) e Cleitinho (Republicanos-MG) retiraram apoio ao texto de Marinho após repercussão negativa nas redes sociais e cobrança de eleitores.

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