Secretário-adjunto de Direitos Humanos e Cidadania de Guarujá entra na ‘sanha’ da perseguição política
Ele é advogado e já foi candidato a prefeito. Iniciativa pode ser caracterizada como promoção política. Já há quem defenda seu afastamento do cargo

Carlos Ratton
27.10.2026
Foto: Facebook
O secretário adjunto de Direitos Humanos e Cidadania de Guarujá, o advogado bolsonarista Airton Sinto, usou seu perfil nas redes sociais para estimular a não contratação de trabalhadores que votaram contra sua vertente política, contrariando os princípios da Administração Pública e da própria pasta que representa. Ela já foi candidato a prefeito.
Como defensor dos Direitos Humanos, Sinto deveria atuar para promover, proteger e garantir o respeito às liberdades fundamentais reconhecidos universalmente. Como promotor da cidadania, deveria ser um agente que atua para garantir que os direitos civis, políticos, sociais e humanos das pessoas sejam respeitados, especialmente daqueles que estão em situação de vulnerabilidade.
No entanto, escreveu: “não compro de petista, não contrato petista, não advogo para petista (contra, faço até desconto nos honorários). E não ajudo, sem exceção, petista e esquerdista. E você empregador, seja inteligente...”.

Vale lembrar que o perfil Papo Reto, de Guarujá, já havia revelado em vídeo que a iniciativa de estimular a não contratação de pessoas e de boicotar comércios teria não só partido de grupos bolsonaristas, como também, de funcionários da Prefeitura de Guarujá. A manifestação de Sinto, de certa forma, confirma a revelação.
Segundo vídeo de alerta, funcionários em funções públicas deveriam lutar pela sustentação econômica do município e, não, ao contrário. E até está se estimulando a não contratação de pessoas por conta do posicionamento contrário a extrema direita.
O que ocorreu nas eleições de 2022 voltou agora em 2026, após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Bolsonaristas da Baixada Santista e de todo o país estão usando as redes sociais para incentivar o boicote a comerciantes e empresários que se identificaram com a proposta de Lula e se posicionaram em favor da democracia. Uma lista foi postada em rede de WhatsApp. Confira a outra reportagem em https://www.osinconfidentes.com.br/noticia/grupos-bolsonaristas-usam-exemplo-nazista-em-santos-e-guaruja-sp
Perseguição
O funcionário público, mesmo em função comissionada, não pode perseguir outro servidor ou cidadão por motivos políticos, partidários ou ideológicos. A perseguição política no serviço público é ilegal e configura abuso de autoridade, assédio moral e infração disciplinar.
A administração pública deve agir estritamente sob os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (Art. 37 da Constituição Federal). Usar o cargo, a chefia ou a estrutura do Estado para retaliações ou pressões pessoais viola esses deveres.
O que fazer?
Guardar e-mails, mensagens de WhatsApp, áudios, ordens de serviço arbitrárias, memorandos e anote o nome de testemunhas. Procurar a Ouvidoria do órgão, a Corregedoria ou o setor de recursos humanos, exceto se a própria chefia imediata for a responsável pela perseguição.
Buscar instâncias externas como o Ministério Público (MP) para investigar crime de abuso de autoridade ou improbidade, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), caso a perseguição esteja ligada a coação eleitoral ou assédio para forçar apoio a determinado candidato e o sindicato ou associação da categoria para suporte jurídico especializado. É possível acionar a Justiça para pedir a anulação de atos abusivos e reparação por danos morais.
Os Inconfidentes buscaram a versão do secretário adjunto Airton Sinto via Assessoria de Imprensa da Prefeitura. No entanto, no prazo estabelecido, não houve um posicionamento. O espaço se manterá aberto para o contraditório.

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