Travessia Bertioga-Guarujá (SP) é uma tragédia anunciada
O flutuante, sem motor, se afastou do atracadouro e um caminhão ficou pendurado. Um dos pneus do veículo furou e o acidente afetou algumas peças do veículo. Por sorte, o caminhão não caiu na água com o motorista em seu interior.

Carlos Ratton
25.05.2026
Foto: Divulgação e Tony Valentte
Sábado, 23 de maio, 15h53. Os Inconfidentes recebem a informação do líder comunitário e representante da Associação dos Moradores e Amigos da Cachoeira, Sidnei Bibiano Silva dos Santos, de que mais uma vez ocorreu um acidente envolvendo a travessia entre Bertioga e Guarujá, dois municípios litorâneos separados pelo Canal de Bertioga.
Bibiano foi informado pelo outro diretor da Associação, Célio Machado. O flutuante, sem motor, se afastou do atracadouro e um caminhão ficou pendurado. Um dos pneus do veículo furou e o acidente afetou algumas peças do veículo. Por sorte, o caminhão não caiu na água com o motorista em seu interior.
Segundo Machado, o episódio – que não foi o primeiro e nem será o último - causou transtorno à travessia porque só estava operando um rebocador. Os rebocadores é que conduzem os flutuantes no percurso marítimo entre os municípios. “Mais uma terceirização que presta um serviço precário”, informou o diretor.
Outros internautas que interagiram via redes sociais, também demonstraram uma insatisfação que há muito vem sendo revelada por moradores e usuários do sistema, mas o Governo do Estado faz ‘vistas grossas’ até que a tragédia aconteça.
“Infelizmente, isso só vai acabar quando houver um acidente fatal. Tudo neste País só se resolve após ter uma vítima, só espero que não seja eu ou algum parente”, disse um internauta. “Agora é só o Estado (Governo de São Paulo) pagar os prejuízos do caminhão. Que pobreza essa nossa travessia”, completou outro.
Reportagem
Ainda este mês, Os Inconfidentes publicou uma reportagem que dezenas de usuários que fazem diariamente a travessia haviam amanhecido praticamente sem opção para trabalhar, se consultar, estudar ou fazer qualquer outra atividade que precise transpor o canal de Bertioga. Veja em https://www.osinconfidentes.com.br/noticia/travessia-guaruja-bertioga-estrategia-furada-do-governo-tarcisio-penaliza-usuarios
Isso porque, segundo informaram, somente um dos três flutuantes estava operando. O tempo de espera marcava 40 minutos e, segundo informações, os três chegaram a parar de operar, gerando travessia somente de pedestres por embarcações menores e de forma improvisada.
Há pelo menos 20 anos esses problemas ‘técnicos operacionais’ ocorrem na região. Isso porque a estratégia ‘furada’ aplicada pelo Departamento Hidroviário (DH), da Secretaria Estadual de Logística e Transportes do Estado de São Paulo, que consiste no uso de rebocadores para conduzir os flutuantes e não embarcações com motores, nunca funcionou como deveria e sempre gera desgaste para a população de ambos os municípios.
Segundo já informado por anos a fio pelo DH, “a alternativa adotada (flutuantes sem motor) traz vantagens em relação à manutenção. Caso haja algum problema, o rebocador pode ser rapidamente substituído por outro e a balsa volta operar normalmente. Esse modelo é utilizado em todo País e certificado pela Marinha do Brasil”,
Na realidade, o ‘modelo utilizado em todo o País e certificado pela Marinha do Brasil’, na travessia Bertioga-Guarujá e vice-versa, só funciona no papel. A travessia vive permanentemente frágil e prejudicial para cidadãos e cidadãs que se utilizam o transporte que une os dois municípios. Não seria difícil imaginar, por exemplo, a possibilidade de balsas ficarem à deriva em caso de incidentes, como já ocorreu.
Não existe conforto e nem confiabilidade. “Pagamos uma tarifa cara. Retiraram as balsas e colocaram dois rebocadores amarrados a flutuantes, atrasando o tempo de atracar entre um lado e outro. Tem muita gente perdendo compromissos em ambos os lados das duas cidades. O Estado precisa resolver este problema definitivamente”, afirma Bibiano.

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