Vereador médico questiona necessidade real de construção de hospital pediátrico na ZN

Equipamento está sendo erguido a apenas 100 metros do sambódromo

Vereador médico questiona necessidade real de construção de hospital pediátrico na ZN

Carlos Ratton

29.07.2026

Fotos: Google Maps/Victória Muniz e Gabriel Dias (Câmara de Santos)    

Não só a vereadora Débora Camilo (Psol) está preocupada com a construção de um hospital pediátrico municipal a apenas 100 metros do sambódromo, previsto para ser na Rua Engenheiro Manoel Ferramenta, com a Rua César Augusto de Castro Rios, conforme já confirmado pela Prefeitura de Santos (SP).

Outro parlamentar, o vereador e médico infectologista Marcos Caseiro (PT), já utilizou várias vezes a tribuna da Câmara de Santos para questionar a prioridade na construção da unidade, parte do novo Complexo Areia Branca, na Zona Noroeste, com previsão de conclusão para meados de 2027.

Para Caseiro, o problema de Santos na área da saúde é muito mais complexo e não será resolvido com a construção do hospital. Em um requerimento encaminhado ao Executivo santista, o médico reafirma a questão levantada pelos Inconfidentes última segunda-feira (27) em relação a possível quebra da lei do silencio antes, durante e depois dos desfiles carnavalescos, como questões técnicas. Veja reportagem em https://www.osinconfidentes.com.br/noticia/santos-deve-ignorar-leis-de-silencio-ao-construir-hospital-pediatrico-ao-lado-de-sambodromo

Caseiro quer respostas sobre o critério técnico para a escolha do local específico (Areia Branca), dada a sua proximidade com o Sambódromo, em detrimento de outras áreas da Zona Noroeste, se foram realizados estudos de impacto de vizinhança ou medições acústicas considerando o período do Carnaval e ensaios das escolas de samba e ainda se o projeto arquitetônico prevê isolamento acústico especial para garantir que o alto ruído não prejudique a recuperação e o repouso das crianças internadas. A Prefeitura já respondeu positivamente esta última questão.  

Indicadores

Marcos Caseiro vai mais longe. Quer respostas sobre quais foram os dados e indicadores epidemiológicos específicos utilizados para embasar a decisão técnica da construção desta unidade e a definição do número de leitos pediátricos previstos e os números oficiais atuais do déficit de leitos pediátricos (clínicos e de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na cidade de Santos, segmentados por região: Zona Noroeste, Morros, Centro e Orla.

E ainda se a proposta de construção e o projeto foram formalmente apresentados e discutidos no Conselho Municipal de Saúde (CMS), a data prevista para a entrega e o início da operação da unidade, o valor total do investimento e a origem dos recursos (Municipais, Estaduais ou Federais) e qual será o perfil de complexidade desta unidade - baixa, média ou alta.

Por fim, se haverá pronto-atendimento 24h ou será uma unidade referenciada apenas para internações, se já existe um plano de dimensionamento de pessoal (médicos pediatras, enfermeiros e técnicos) e se a gestão será direta pela Prefeitura ou via Organização Social de Saúde (OSS). A Prefeitura nunca se manifestou sobre essas questões, restringindo-se apenas na construção do equipamento.  

Regras

Vale lembrar que as regras de controle de ruído ao redor de hospitais são definidas por leis municipais, códigos de obras e pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) Norma Brasileira (NBR) 10.151, que exigem níveis de decibéis mais restritivos. Em muitas cidades, é proibido usar aparelhos sonoros (carros de som, buzinas) a uma distância de até 200 a 600 metros das unidades de saúde.

Zonas de silêncio são áreas especiais (faixas de 200 a 300 metros em torno de hospitais) onde o limite de ruído é severamente reduzido, independentemente do horário, para garantir o descanso dos pacientes.

Áreas próximas a hospitais costumam ter um limite máximo restrito, frequentemente caindo para 40 a 50 dB(A) no período noturno, o equivalente a um sussurro ou uma biblioteca silenciosa. “O equipamento contará com isolamento acústico adequado às suas necessidades”, justifica Administração.

Moradias

Em recentes pronunciamentos na Câmara de Santos (SP) e nas redes sociais, a vereadora Débora Camilo (PSOL) informa que a área onde hoje existe a Passarela do Samba "Dráuzio da Cruz", também conhecido como Sambódromo de Santos ou "Estradão", também será destinada a construção de moradias populares. Já existem unidades consolidadas próximas. 

Sambódromo é palco dos maiores eventos culturais da região da Baixada Santista. O conjunto arquitetônico é instalado ao redor da Avenida Afonso Schmidt, no bairro do Jardim Castelo, na zona Noroeste da cidade, possui capacidade para 10 mil espectadores e abriga o Centro Cultural da Zona Noroeste. O equipamento foi criado em 23 de fevereiro de 2006 sob a administração do então prefeito João Paulo Tavares Papa.

O local dos desfiles foi construído em uma via que cortava o terreno do "Estradão", com 560 metros de extensão e 20 de largura, sendo 16 para a faixa de rolamento e 4 para às calçadas Já a pista de desfile ficou com 450 metros de extensão. Foi gasto R$ 1,9 milhão e no projeto original não havia a edificação do Centro Cultural da Zona Noroeste, incorporado ao Sambódromo somente em 2013. 

Prefeitura

A Prefeitura de Santos foge da polêmica. Apenas explica que o hospital terá isolamento acústico e que mantém o planejamento para que os desfiles continuem sendo realizados no local, não havendo nenhuma intenção de transferência do evento para outra área de Santos.

Em relação à estrutura do local, cerca de 90% das instalações da Passarela do Samba Dráuzio da Cruz são provisórias, sendo montadas especificamente para cada edição do Carnaval.

Segundo a Administração, esse modelo é adotado há 20 anos e permite a adequação da estrutura às necessidades do evento. Para o Carnaval de 2027, as instalações temporárias serão implantadas normalmente para garantir a realização dos desfiles, já confirmados para os dias 29 e 30 de janeiro de 2027.

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